Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

Kiss


sim, eu já tive 19 aninhos!!!!
Upload feito originalmente por roberta silva

alguém quis
e eu fui feliz


texto e imagem: roberta silva

Kiss


Kiss
Upload feito originalmente por roberta silva

algo me diz
que serei feliz


texto e imagem: roberta silva

Terça-feira, 24 de Julho de 2007

aquele quase tango



um tango nos espera
entre pôr-de-sol e quimera.
De sobressalto, improviso.
Na boca, palavra não dita.
O beijo?
Dedos deletam palavras que dizem pouco.
O toque eles buscam,
tradução simultânea em canção,
música de papel
que teimo compor
além, além, além do lado de lá.
E permaneço
dó sustenido em meu sol fá.
texto e imagem: roberta silva

Quinta-feira, 12 de Julho de 2007

sem título



dentro dela
a voz muda
maldita
ao ver
quase aflita
pondera reluta.
dentro dela
a voz muda
ama enlouquecida
não cabe em seu sonho
mas em seu peito grita
o sonho dela
ele invade toda noite. Nem a olha.
Precisam apenas estar perto.
O sonho finda, mas antes
um beijo metafísico
Que a torna mais muda,
mais louca e não tranca a porta.

texto e imagem: roberta silva

Quarta-feira, 11 de Julho de 2007


Para seccionar os olhos
(ou Censura)


Do nada que ainda serei
falta-me apenas o foda-se
Até lá, cuide-se, pois eu vi.

Nasci para ser nada,
nenhuma missão, nenhuma profecia
nada além de apenas ser,
busco a liberdade, você a viu passar?

Pode me ensinar a deixar-me cair nesse abismo?
a matar a pomba branca, diante das crianças,
num dia fiLho da puta?
Ser digno de ensinar que deve se chutar as pombas,
hoje, em dias filhos da puta.
Deve-se? Não? Porque eu quero então????



Para seccionar os olhos
(ou Censura)



Do nada que ainda serei
falta-me apenas o foda-se
Até lá, cuide-se, pois eu vi.

Nasci para ser nada,
nenhuma missão, nenhuma profecia
nada além de apenas ser,
busco a liberdade, você a viu passar?

Pode me ensinar a deixar-me cair nesse abismo?
a matar a pomba branca, diante das crianças,
num dia fiLho da puta?
Ser digno de ensinar que deve se chutar as pombas,
hoje, em dias filhos da puta.
Deve-se? Não? Porque eu quero então????


texto e imagem: roberta silva

Terça-feira, 10 de Julho de 2007


Eterno Retorno

Pode-se dizer que estive cativa desde sempre, não é certo, porém. Num momento, que não mais distingo entre as coisas, poucas, que ainda sei reais, estive viva. Agora não me importa saber deste instante, da mesma forma obcecada que desejei saber distante, se era meu o dedo no gatilho ou o que apontava.

Por longo período fui somente um deles. Era como se revivendo, revivendo, revivendo aquele ato eu própria me acolhesse em um tenro regaço. Fingi, no princípio nem precisei, que não era eu ali lambendo minhas próprias feridas e sim, tu. Imensamente, amargamente, eternamente arrependido e apaixonado.

Minha dor ali, minha morte ali tão perto e tão tua excitava-me a ponto de eu revivê-la vez após outra. Tua morte minha.

Depois foi escapando-me aquele gozo por entre os dedos. E, compreenda, para não morrer precisei estar em teu lugar, matar ou morrer, não me lembro, ver-me ali por teus olhos. Por teus olhos me vi e eu morria molhada. Choraste. Choraste? Não importa. Quão doces foram aquelas primeiras vezes. Matava-me ou a ti rapidamente só para ver-me morrer como que afogada de teus olhos. Não durou também.

Tu e eu agora somos nada. Sem gozo, sem culpa, sem perdão. Nada somos acompanhados. Não me vou de ti e nem me deixas por não sabermos ser algo sós.


texto e imagem: roberta silva

Segunda-feira, 9 de Julho de 2007

Ele



É noite de lua plena. Troquei as cortinas escuras de meu quarto por um fino véu azul transparente. Há tempos o observo da janela. A primeira vez que o vi chegar, acompanhado de uma bela mulher, pensei tratar-se de casal qualquer.


Tantos já vi daqui a aproveitar o isolamento do parque à noite para saciar suas ânsias de despirem-se, doarem-se e tomar do outro sua energia mais íntima e sagrada. Era um casal estranho. Ele, feio demais para eu acreditar naquilo, pedia coisas obscenas e aterradoras à bela. Ela negava visivelmente agarrada ao pejo que forjaram em seu espírito. Negava, mas não tirava os olhos dele, que ao invés de recuar avançava e lhe pedia algo ainda mais obsceno e horrendo. A lua parecia iluminá-los mais à medida que ele ousava nas palavras e falta de decoro.


As peças que a cobriam iam sendo retiradas por ela em movimentos desconectos. Parecia que a roupa pinicava-lhe ou passara a pinicar, pois justificava-se irritando-se com as pobres vestimentas e acessórios sem motivos aparentes. Ele não olhava seus gestos diretamente. Preocupava-se em repetir os pedidos, em verificar as mutações que aconteciam em seu corpo. Fazia questão de deixá-las à luz da lua para que ela também visse. Seus pêlos cresciam e encrespavam-se. Suas formas avolumavam e endureciam. Sim, apesar da distância podia sentí-las rijas e delineadas.


O nariz e a boca precipitaram-se à frente. A boca e os dentes aumentavam em proporção inversa ao nariz. As narinas abriam e fechavam cada vez mais rápidas. A bela, já completamente despida, elevava as mãos em sua direção, mas ainda sem coragem de tocá-lo. Urinava-se. Apoiado nos pés e nas mãos passou a rodeá-la bem de perto. Roçando os pelos por sua pele branca quase a derrubando, ora para um lado, ora para outro. Permaneceu assim durante muito tempo. Calmamente. Parecia não ligar para a ansiedade dela. Ela tremia, acariciava-se, chorava baixinho, mostrava-lhe o sexo e ele não a tomava.


Continuava seu círculo ao redor dela, exalando seu cheiro cada vez mais forte. Um cheiro agudo, oleoso, adocicado, azedo, que me turvava de leve os sentidos quando chegava com a brisa em minha janela. O suficiente para eu não sentir pena dela, apenas inveja. O passeio continuou por mais tempo. Mais tempo que ela podia suportar. Não fiquei surpresa ao ouvi-la implorando que a devorasse. E ele o fez. Calmamente durante toda a noite. À medida que a lua ia caminhando no céu seu corpo voltava à forma anterior. De madrugada enterrou os ossos, limpou-se. Saiu tranqüilo, livre.


Todas noites de lua plena ele volta. Nunca soube nada sobre aquelas mulheres. Nenhuma reportagem, nenhuma busca, nenhum cartaz de desaparecimento. Numa cidade deste tamanho muitas pessoas somem sem serem notadas. Já passa das oito e ele não apareceu ainda. Estranho, alguém na porta, nunca batem na minha porta.
texto e imagem: roberta silva

Sexta-feira, 6 de Julho de 2007

Ela




De sua cama ele ouve o chuveiro no andar de cima. A água bate no piso, lhe escorre pelo rosto e empoça em seus olhos. Arde. Seu desejo embaça a janela ou é a chuva ou o banho d’Ela?
A tormenta começa quando range a porta. Toc toc toc. O salto no assoalho marca o novo compasso do seu coração. Toc toc toc. Sala, corredor, cozinha, corredor, quarto, banheiro. Toc... Toc...
"Não pára! Não pára!" Silêncio ou sua respiração o impede de ouvi-la? Ainda se despe? Anda nua pela casa? O chuveiro!
O cheiro quente que invade o quarto o sufoca. Cheiro de sabonete branco, redondo, escorregadio, espumante no seio branco, redondo, escorregadio, estonteante. Sacode os cabelos molhados. Um bombardeio de pingos atravessa o chão e aloja em seu peito. Campo minado.
As mãos percorrem o corpo à procura de refúgio. Displicentes, os passos d’Ela, acima de sua cabeça, detonam a explosão. Em petit mort ele jaz.
texto e imagem: roberta silva

Sexta-feira, 29 de Junho de 2007

God is Gone


Por favor,
Ao sair
Apague a luz.


texto e imagem: roberta silva

MUDA



Tivesse minuto,
diria.
Tenho muitos.


texto e imagem: roberta silva

Quinta-feira, 28 de Junho de 2007

É





Tem dias
que poesia
só sai na marra.



texto e imagem: roberta silva

No Último Dia



Não posso dizer que não me lambuzaria em você. No momento final não poderia negar-me um último desejo. Mas, depois, queria sentar a seu lado, no chão, no alto de algum lugar, ficar de frente para você, tocar suas mãos, brincar com os pêlos de seus dedos, contar alguns segredos, ouvir de sua infância, lembrar da minha. Teria motivo para ser triste, deixaria para depois. Olhar bastante você, segurar na garganta muitas frases intensas que fugiriam por meus olhos. Sempre achei que numa ecatombe eu sobreviveria para a sobrevida de depois. Se acontecer, vai ser bom lhe ter ao meu lado, velha tartaruga a conter os rompantes deste cão impulsivo. Eu queria perceber os momentos em que quisesse ficar sozinho, chorando aquelas dores que só você sabe dizer. Agradeceria aos deuses por lhe ter ao meu lado quando eu chorar as minhas. Queria lhe garimpar no meio dos escombros um violão empoeirado. Talvez falte uma corda e tenha que inventar nova música. Seguiria sua jornada para encontrar o que ou quem você procurasse e ficaria feliz se você encotrasse. Nadaríamos rindo feito bobos, num mar de chocolates amassados encontrados por acaso numa tarde de fome. Taparia um olho seu e ia lhe chamar de pirata dos sete ares que acabou de encontrar um tesouro.
texto e imagem: roberta silva

Quarta-feira, 27 de Junho de 2007

Privilégio

Faltado talento ou coragem,
terão valido nossos olhos.
Mesmo cegos, puderam pingar por coisa justa.
texto e imagem: roberta silva

Inconcordante




Meus olhos chorou.
Neles lágrimas para um só.
Alma plural, verbo singular.
O outro jaz.
Perdão, foi o melhor que pude.
A dor cavou
mas não encheu o açude.
texto e imagem: roberta silva

Terça-feira, 26 de Junho de 2007

só'ocê




as'oras me'spremem
den'de mim nã'caibo
n'oje nã'me'ncaixo
só alguém com'ocê
p'ra dizer o assim tã'óbvio:

-transbordeeeee!!!!
texto e imagem: roberta silva

Coisas Que Não Farei Amanhã





  • não farei amor com hamlet, em pé, dentro do closet
    nem depois, nem depois

  • não beijarei uma mulher, um padre, um bicho sequer
    nem depois, nem depois

  • não farei teste para atriz, para cantora ou meretriz
    nem depois, nem depois

  • não tatuarei em minhas costas uma espada como gostas
    nem depois, nem depois

  • não chutarei o balde, nem a bunda, nem riscarei seu audi
    nem depois, nem depois

  • não mergulharei em Abr'olhos, na sua mente, em seus molhos
    nem depois, nem depois

  • não piscarei para um bonitão, não saltarei de um avião
    nem depois, nem depois

  • não posarei nua, não voarei para a lua
    nem depois, nem depois

  • não morderei seu mamilo, seu joelho ou aquilo
    nem depois, nem depois

  • não escreverei um romance, uma biografia, um outro lance
    nem depois, nem depois

  • não comprarei um channel, uma casa na Savassi ou um pedaço do céu
    nem depois, nem depois

  • não tomarei tequila, estriquinina ou bem na quina
    nem depois, nem depois

  • não vou para Machupichu, para o Haiti ou para seu nicho
    nem depois, nem depois

  • não fumarei um baseado, um charuto ou um mentolado
    nem depois, nem depois

  • não rasparei a cabeça, de jeito nenhum , esqueça
    nem depois, nem depois

  • não seqüestrarei Garcia Marquez ou o Nando Reis, talvez, nem depois, nem depois

  • não mostrarei o seio pro Zeca Baleiro num show de veraneio
    nem depois, nem depois

  • não farei um soneto nem morrerei de overdose num gueto
    nem depois, nem depois

  • não mandarei Consuelo se catar e tomar naquele lugar
    nem depois, nem depois

    Fica para depois, para depois

  • E se morro hoje?
    nem depois, nem depois.

texto e imagem: roberta silva

Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

sem título



Leva-me a maré
que se encheu
quando eu era minguante.


Queima-me o sol
que ardeu
quando eu era nublado.


Cresce-me a flor
que brotou
quando eu era podado.


Grita-me a história
que se fez
quando eu era censura.


Mata-me a saudade
do que não fui
quando eu era temor.
texto e imagem: roberta silva

Vespertina




Ela disse: Eternidade.

Numa língua serpentina.

Se enroscou em meu nome,

cheiro e albumina.


Deu voltas em meu pescoço,

falou descalço em meu ouvido:

-Vem comigo! Vem comigo!

E lotou meus dias de feitos vazios.


Lagarto cruzou a estrada

a engravidou de uma montanha russa.

Parto sem dor,

algo de puro nesse despudor,

algo de muro nesse corredor.


Acorde tímido, gemido rouco.

-Fica mais um pouco!

-Fica mais um pouco!

-Eu te preciso, preciso.


Em minhas mãos dez coordenadas.

Metáfora do alcance.

Em minhas mãos descoordenadas.

Meta fora do alcance.


Um lance que já estava dentro

bem antes do antes do antes.

Dois canudos no mesmo refrigerante.


texto e imagem: roberta silva

Sexta-feira, 22 de Junho de 2007

Janus



Apresenta-me as faces
o deus que inspira janeiro.
Em pé, sob o umbral de meu tempo
convida-me a entrar.


Seu rosto leste em êxtase.
Prenúncio do incerto.
O outro, com grande esmero,
tira o pó dos castiçais.


Ajudo a polir a prataria?
Não.
Pílulas de adrenalina
e a água da boca
pesam-me até embaixo.


O que me move
é essa efervescência nos pés.
texto e imagem: roberta silva

AL M'ONET



Pinto a óleo

o rio que brota

no olho d'água.
texto e imagem: roberta silva

viver por música




sem trompas de falópio
expulsa da orquestra

só toco de olvido
com as trompas
de eustáquio.
texto e imagem: roberta silva

Quinta-feira, 21 de Junho de 2007

Evoluto



Do amor de minha devoção
o que é além de ilusão?
Lenda real não empírica. Jesus.
Conto dele a si próprio a cada geração
sentimento renascente a cada dia.
Aumentando um ponto cada vez que conto.
E o detalhe, que era apenas talhe,
migalha de luz na escuridão,
agora é um clarão.
Acima de si, do bem, do mal
mil vezes está este amor.
Antes plebeu. dia seguinte, imortal.
Hoje muito mais que Deus.
E a ele só alcanço em oração.
texto e imagem: roberta silva

amor de novo


lá vamos nós!

prontos pra mergulhar

no velho poço.

texto e imagem: roberta silva

Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

PRÉ - SELEÇÃO




Devido excesso de candidatos
só aceito conselhos de fãs.




Oração por minhas filhas



Carregar a fina louça
Nas trevas por essa trilha
Eu que sou tão tosca
E que delas pareço filha.

Pai! Apiedai-vos de mim,
delas, de nós.
Endireita o que eu caminhar torto
e quando eu for ventania
sede Vós, para elas , o porto.
texto e imagem: roberta silva

Terça-feira, 19 de Junho de 2007

ADVERTÊNCIA




Como quem grita à beira do canyon, escrevo.
Um eco arrebata-me, às vezes, de surpresa.
A bunda do comercial de cerveja.
Uma sede de mim causada pelo eco do eco acontece.
Meu gosto ou meus efeitos colaterais
inadvertidamente são esquecidos.
Se fosse cor de inseto seria dos peçonhentos.
Se fosse gosto de folha seria das amargas.
Sou verdade nua.
O olhar da cobra nos olhos da vítima.
A leitura de minha escrita causa uma sede de si próprio,
mortal e incurável, é Santo Daime. Causa vômito de fel, bota para fora o a muito esquecido.
Num futuro, à médio ou longo prazo, serei obrigada a escrever no fim de minhas páginas e ao lado de minha assinatura: "O Ministério da Cultura adverte: Ler-me causa sede incurável de vida. Leia com moderação."


texto: roberta silva
imagem: desconheço autoria

Confesso



nem tudo que disse foi acerto.
não reconheço quase nada como erro.
volto atrás em promessas sérias.
muitos chutes foram trave.
trave, para mim, é quase um acerto.
o limite do engano, e, isto é grave.

era eu ao telefone
porque tem dias, poucos,
que um alô é muito
e o muito,
muitas vezes me cala.

confesso
quis também um silêncio salmoura.
que me reconhecesse
antes mesmo de ser alô
e também se calasse.
dissesse: sei que foi você,
porque só seu silêncio me dói.

e isto bastasse.


texto e imagem: roberta silva

Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

Na terça os lobos tiram as vampiras para dançar




Neblina veste a ventania
soprano desse festival de amor.
O enfeitiçado esgueira-se mata adentro
num uivo solo a desperta do torpor.


Na terça os lobos tiram as vampiras para dançar.

Luz negra tinge de azul a musa morta.
Curvado como um servo à sua esquerda,
Lupus, o lobo, a espera e vigia a porta.
Observa-a e a seus próprios pêlos se levantarem.


Na terça os lobos tiram as vampiras para dançar.


Arrasta-se mendicante, demarcando seu território.
Por covardia e devoção, lambe suas mãos.
Só eles conhecem o verdadeiro dia febril.


Na terça os lobos tiram as vampiras para dançar

Seminua, semicerrados os olhos
arrepia-se enquanto Lupus
enrosca-se cambaleante em seu corpo.
O amaldiçoado levanta-se.


Na terça os lobos tiram as vampiras para dançar


Quebrado metade de seu encanto
meio humano, meio fera
toma-a em seus braços
e amorosamente a dilacera.


Na terça os lobos tiram as vampiras para dançar


Lágrimas famintas e desejos saciados
inundam seu coração assassino.
Blasfema contra si e volta ao covil
para se recompor até a próxima segunda, pois


na terça os lobos tiram as vampiras para dançar.
texto: roberta silva
imagem: desconheço autoria

Sexta-feira, 15 de Junho de 2007

o copo



Eu podia dizer que
não sou nada
ou que exageraste.
mas não fui nada,
além de copo.

Dei de beber
o café, na correria,
nunca o chá das cinco;
a água, no sufoco,
não o champagne no quarto.

Retirado da mesa
na hora da sobremesa.
não culpo, além de mim,
alguém mais por isso.

Muitas vezes
não segurei gota mínima
e entornei queimando tudo.

Acostumei
a ver a festa de cima da pia,
a fazer barulho estranho ao cair,
a não cantar como cristal.
(heave metal)
a medir farinha e engolir seco.
a medir óleo e me borrar de medo.

A isso tudo isso me acostumei.

Até que um dia
nem na pia me quiseram.
parei numa janela.
Olhei da beira
pularia não fosse a grade.

O frio da noite me molhou sereno.
De manhã sol apareceu ameno.
Esquentou primeiro eu.
Eu? O Copo? Porque?

Passou por mim lambendo
Não tenho luz, sempre soube.
Mas, converto luz.
Não pulo mais.
Não me largo mais.

texto e imagem: roberta silva

passatempo


poderia escrever

um poema à toa,

a nós, na boa.

poderia ir na sua casa

num bater de minha asa.

se esta brasa

não derreter a cera.

-Buona cera!

(escorregadeira?)

ouço Cavalera,

saudade vira paulera.

quero ver sua caveira

ou você de olheira.

sem eira nem beira.

mascando chiclete

ou eu, sua vedete.

afrouxaria o corpete,

totalmente Julliet.

sim, meu dartagnam!

venha antes de amanhã!

quero ser sua cunhã,

pelo poder de Iansã.

essa febre terçã

corrompe minha maçã.

mordida de repente

dente-com-dente

acorda a serpente.

coitado do Adão!

ah! não!

achava que era irmão.

tão dormente, bonachão.

comendo postas com pirão.

afrodisíaco um tantão!

não era essa a intenção.

mas se chamei sua atenção,

fica com Deus, meu irmão!

lá vem o lotação.
texto e imagem: roberta silva

Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

balada para um dia triste



Fugiu-me a fúria das palavras.
Talvez seja este o gosto da derrota.
Os samurais, covardes,
sabiam o que é estar vivo depois dela.
O mundo corre pela janela
e partes holográficas, de mim desprendidas,
o seguem sem dizer adeus.
A apatia me é fiel.
Jurou-me em seus papiros:
- Bato logo em sua porta.
Digito em meu teclado:
Ainda não, Flor de Plástico.
Casa comigo? Eu quero um filho teu.
Preciso terminar o curso de História,

ainda não.


texto e imagem: roberta silva

no fundo



Toda promessa
quer ser violada.

Toda súplica
não quer nada.

Todo tango
toma drágeas de tragédia.

Todo amor
vive só na escuridão
e morre com as rosas
num infarto celofane
murcho em suas mãos.

Toda vida que se cumpre
só é cúmplice no papel
e finda, no fundo,
num precipício seu,
num pressuposto céu.


texto e imagem: roberta silva

Quarta-feira, 13 de Junho de 2007

T.P.M.



Sem exceção.

Toda regra

tira o tesão.


texto e imagem: roberta silva

Nova Era




Cala o silêncio


o estrondo rompe


o núcleo de meu mundo


a poesia me sai pela fissura
texto e imagem: roberta silva

Urbana


Minha página

é grama.

Meu poema, desmatado.
texto e imagem: roberta silva

Terça-feira, 12 de Junho de 2007

INTOCÁVEL





Antes da poesia,
é o poeta intocável.
Antes da fórmula,
é o sentimento intocável.
Antes da literatura,
é o ser humano intocável.
Antes do ser sincero,
é o ser amável intocável.
Para ser mais que literato,
ser homem de fato,
é preciso:
Amar o poeta.
A poesia, talvez.
Amar o sentimento.
A fórmula, talvez.
Amar o ser humano.
A literatura, talvez.
Ser amável.
Sincero? Talvez.

texto e imagem: roberta silva

Bruxa Lola



Há dia em que não corre
diferente de outro dia
uma folha no pé de vento.
E o mundo todo, só por isso,
segue rumo desatento.
Bruxa Lola em seu canto
separa folhas,
duas de louro,
duas de coentro.
Vai pra caldeira, prepara ungüento.
Em sua mente borbulham tramas.
Algo entre o bom e o mau intento.
Hoje ele não escapa.
Não antes de seu contento.
texto e imagem: roberta silva.

Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Página em branco



Quero a verdade
da página em branco.
Só ela me ouve.
Só ela me aceita.
Absorve minhas verdades.
Aceita que eu as apague,
a qualquer hora, tudo ou parte.
Não me cobra
pelo tempo desperdiçado.
Ela me deixa livre.
E eu ali, atado
à sua condescendência,
obrigado a ser inteiro.
texto e imagem: roberta silva

O Vôo do Dragão





À massa incandescente
condensada em si
juntou-se um último
"Sou eu sim, e daí?"


Senti vontade de chorar.
Não havia porque.
Desenterrei-me
de meu ego avestruz
Elevando-me mais que pude.


Ainda preso ao todo.
Defeito e Virtude.
Acima daquela massa
eu era todos, eu era um.


Pulsava em mim
todos os pulsos
A história do universo
compreendi num segundo.


Amei como louca
meu caminho até ali.
Desembainhei-me da rocha.
Eu era o Rei e Excalibur.


Uma explosão jamais sonhada
lançou-me de volta para casa.
Cheguei num rasto de luz.
Que levou até mim

um por vez.
Ao fim da noite,

contou-se três.
Incenso, ouro e mirra.



texto e imagem: roberta silva

Quarta-feira, 6 de Junho de 2007

Ovo de Phoenix





Desabei meu peso sobre mim
desfiz-me em cacos.
Vaguei pelo inverso do tempo
retalhado em farrapos.


Estive onde o som não chega
e pude ouvir o quanto grita
meu silêncio.


Lá onde a luz não alcança
percebi a falta
que faz meu brilho em mim.


Vi-me abandonada
por quem realmente importa.
Pedi-me socorro,

pequei por omissão.


Dei voz a cada pedaço de alma
que encontrei
e contei por cada um
a minha história em capítulos.


Se pude ler-me em outras línguas
sucumbi também ao peso
de cada palavra dita.


Desci, finalmente,
ao inferno que esperei.
Verdades, mentiras,
medos, virtudes
se aglomeraram
em um caos incandescente.


Meu universo está prestes a surgir...


texto e imagem: roberta silva

Terça-feira, 5 de Junho de 2007

ALÉM DO LIMITE DO UNIVERSO





ou O QUE SOU ONDE NÃO EXISTO


Seria necessário
que falasse algo
que fizesse sentido
para que isto se justifique.


Viver assim sem porquê.
Ou alguns nascem
para isto?
Para ser nada ou
ser suporte de outros
que virão a ser?
Aí teria eu nascido
para ser mãe de minhas filhas
ou filha de minha mãe.
A que a levou a canonização.


Só sofredores viram santos.
E nem isso posso ser.
Sofro algo ilegítimo,
não compreendido,
E, mesmo que fosse,
não poderia ser.
Sempre ganho o que peço
e nunca pedi o que quis.
Só descubro depois.
Nem é isso um poema.
Fosse ao menos belo
teria descoberto
o tal sentido do ser.


Escrevo.
Escrevo.
Escrevo.

Tento descobrir
o que estou pensando,
porque estou tão triste,
porque não faz diferença
saber o porque.
Tenho esperança
(por não ter a fazer)
que se descobrir o porquê,
talvez,
faça diferença viver.

Ou não.

Por falta do que fazer
ocupo o tempo pensando
no que poderia ser
o sentido da vida
que temo viver.

Traço metas,
rimo teorias,
defendo teses,
dou de graça conselhos
que adoraria vender.
Como se viver
o que estou longe
de sequer saber.
texto e imagem: roberta silva

Segunda-feira, 4 de Junho de 2007

METEORO



De ante-véspera
faço-te este poema amorfo.
Não virás amanhã,
clar'_evidente.
Faço-o antes do tempo
porque na hora do susto
preferimos o lábio ao grelo.
E depois do gozo
como sabê-lo?


Antes mesmo de ti
dei-te curvas

e, talvez,

mais cabelo,
que por certo não haverão.
As cores, cicatrizes imaginadas,
essas sim, serão.


Não por ti, por mim,
que sem saber como,
sempre sei destas.

Talvez por bruxaria

ou pela falta de pejo com que vasculho segredos.


Chegarás e, depois de quebrar-te
mais da metade ao romper-me a atmosfera,
haverá um atropelo.
Queimaremos bons versos
e nossos melhores verbos
em comentários absolutamente
desnecessários e cubículos.


(Ah! Como gostaria de colocar ridículos nesse espaço mínimo que serão nossos comentários! Não o farei, perdoam-me
os tímidos. Queimaduras são inevitáveis, sim, não ridículas . Por isso, mais que dinheiro, melhor termos pérolas de sobra. Não pense que
foi, palavra, tijolo-trocado o cubículos depois do desnecessários. Saberás somente depois de muitos meteoros. Oxalá os tenham muitos, e eles, os comentários, ficarão cada vez mais desnecessários e cubículos. Preferirás os olhares.)


Paralisada e afôlega,
vendo-te a queimar meus ares
e tu cada vez mais vermelho,
estarei momentanemente feliz.


É provável que caias em minhas águas,
três quartos ou mais de probabilidade.
Tenho somente um quarto seco,
quem sabe menos.


Sou tanta fumaça
que já estou a derreter pólos
e a molhar o resto.


Se me caíres n'água serás breve,
e, de ti, lembranças,
a chegarem às margens como ondas,
cada vez menores.


Mas se me tocares no seco,
entretanto,
será grande o estrago.




texto e imagem: roberta silva

Quinta-feira, 31 de Maio de 2007

Por Onde Andará Sweet Ragi?



Céu de brigadeiro e a chuva trai
Deixou Zeca Baleiro
foi morar com Sthephen Fry
ragi moana, doce sweet sacana
sobrou amor, faltou gana

A vida é assim, ame-a ou deixe-a
ela a deixou
e foi louvar deus em Rapa Nui,
vida de inseto,
num templo cercado de ais e uis
levantou sozinha os moais
que protegem sua pobre ilha vazia
Adeus mundo cruel, até nunca mais!

A cara do Zeca ficou no seu espelho,
mas o olho vermelho
é do Sthephen Fry.

Por onde andará Sweet Ragi,
seu sonho de grandeza
e atitude haicai?
texto e imagem: roberta silva

Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

Co